As origens de Abiul recuam aos tempos visigóticos, quando era conhecida por “Villa” Abizoude — vestígios ainda visíveis nas vergas das portas laterais da Igreja Matriz. Recebeu a primeira carta de foral em 1167, outorgada por D. Afonso Henriques ao seu aio Diogo Peariz e à sua esposa D. Examena, que lhe mudou o nome para Abiud, em homenagem ao patriarca bíblico da Casa de David.
Doada em 1175 ao Mosteiro de Lorvão, parte da vila passaria mais tarde para André de Sousa Coutinho e, depois, para os Duques de Aveiro, que a fizeram prosperar. Tal importância levou D. Manuel I a conceder-lhe foral novo a 14 de julho de 1515, dotando-a de câmara, cadeia, hospital, igrejas e Misericórdia.
O envolvimento do Duque de Aveiro no atentado a D. José I, em 1758, ditou o declínio: confiscada e vendida em hasta pública, e mais tarde fustigada pelas Invasões Francesas e pela cólera, Abiul perdeu o estatuto de concelho em 1821. Resta-nos hoje um notável património que recorda esses tempos faustosos.
Toponímia
De Abizoude a Abiud, até ao atual Abiul. Há quem veja no nome uma etimologia mista do moçárabe e do latim — abu Iulii, «pai de Júlio» — e quem o entenda como corruptela do hebraico Abiud.